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Entrevista a Inês Jácome

Inês Jácome interviewed

2021.04.17

A revista "Overland Portugal" à conversa com Inês, criadora e directora do Overland-IN

"Overland Portugal" magazine talking with Inês, Overland-IN creator and festival director

Spring 2022 -- new event date

Primavera 2002 -- nova data

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2021.04.17

A revista Overland Portugal (ROP) publica na sua mais recente edição uma entrevista com Inês Jácome (IJ), a directora do festival Overland-IN, onde nos revela a motivação por detrás do conceito e iniciativa.

Viveu na Austrália e em Dacar, onde as paisagens se estendem a perder de vista, onde o Overland é forte e convida a partir. Trouxe para Sidney a primeira edição do “New York Portuguese Short Film Festival”, repetindo a graça no Senegal, mais tarde. Jornalista de formação, é no cinema e nas viagens onde encontra a paixão, levando a criar o projecto destino: abaton e, com ele, o inovador e original festival internacional de cinema Overland em Portugal.

The magazine Overland Portugal (ROP) publishes in its most recent edition an interview with Inês Jácome (IJ), the director of the festival Overland-IN, where it reveals the motivation behind the concept and initiative.

She lived in Australia and in Dakar, where the landscapes extend as far as the eye can see, where the Overland is strong and invites you to leave. She brought to Sydney the first edition of the “New York Portuguese Short Film Festival”, repeating the deed in Senegal, later. A trained journalist, it is in cinema and travel where she finds passion, leading to the creation of the project "destino: abaton" and, with it, Overland-IN, the innovative and original international film festival Overland in Portugal.

ROP — "Evento, festival, competição de cinema—o que é, afinal, o Overland-IN?"
IJ — "É um pouco de ambos, o que aliado ao facto de ser um formato original, nos leva a gastar bastante energia a clarificar o conceito. Sucintamente, lançámos uma competição de cinema para curtas-metragens de viagens de aventura e overland. Os filmes vencedores farão parte do programa em Setembro, num evento único e original."

— "O que torna o Overland-IN único?"
— "Achamos que filmes criados ao ar livre, devem ser vistos aí — ao ar livre. Que o tema de viagens de aventura é sobre descoberta, revelação e surpresa. Por isso o evento será num local secreto, ao qual desafiaremos cada participante a chegar navegando por “road-book”. Assim concebemos uma envolvente surpreendente, inesperada. Quisemos criar uma experiência, mais do que uma colecção de filmes numa sala de cinema fechada."

— "Porquê agora, num dos piores anos para a realização de eventos?"
— "Pela mesma razão que o alpinista sobe a montanha — porque ela está lá. Escalamos numa altura em que todos percorrem o prado, plano, sem obstáculos, porque temos de começar já a recuperar. Não podemos esperar que tudo normalize para começar a planear. E, curiosamente, esta é a melhor altura. Temos viajantes e amantes do ar livre fechados em casa, com gavetas cheias de vídeos de aventuras passadas, com tempo livre nas mãos. Nunca houve melhor momento para editar essas filmagens e fazer deles algo especial. É uma edição inaugural — se neste ano conseguirmos, imagina do que não seremos todos capazes nos anos vindouros?"

— "Mas o que levará a comunidade overland a aderir?"
— "Todo o sector está adormecido. Estamos todos. E isso sente-se nas muitas conversas que temos tido com os realizadores em potência, com as empresas de produtos e serviços, com as grandes e pequenas marcas. Contudo, a mobilização tem sido entusiasmante. Por detrás de cada logótipo existem caras, pessoas, vozes. E com cada uma temos aprendido imenso, porque nos demos espaço para as ouvir. O Overland-IN é também um reflexo dessa interacção, dessa vontade em sacudir este torpor que nos deixa os braços caídos, num corpo que está habituado a mover-se, a subir a tal montanha."

— "Terá Portugal contributos para dar a uma competição internacional de cinema?"
— "Quisemos juntar uma equipa que combinasse várias sensibilidades, no seio da qual debatemos bastante este ponto. Pensámos mesmo em fechar a competição a realizadores portugueses. Mas ninguém quer apenas ser o melhor do bairro. É preciso ombrear com o melhor que se faz no mundo. Se há uma comunidade onde as fronteiras foram feitas para serem atravessadas, é esta. Tem sido uma batalha diária identificar onde estão os bons filmes portugueses à espera de nascer."

— "Por falta de viajantes?"
— "Não tanto, apesar de sermos poucos. Quando interagimos com um viajante português, a primeira reacção que sentimos é receio, que possa ser “areia a mais para a minha camioneta”. Isso não impede os australianos que não são muitos mais que nós. Vimos os seus esforços chegar ao ecrã, não por serem melhores, mas pela despreocupação com “a figura que possam fazer”. São, afinal, nossos alguns dos melhores projectos criativos de animação e publicidade."

— "Onde quer o Overland-IN chegar?"
— "A Abaton." (risos) "Porque Abaton representa algo que não pode ser alcançado, mas que nos leva a partir. As viagens ensinam-nos que os planos têm vida própria. O Overland-IN começa agora em Portugal, mas terá mais eventos no país e no mundo, já com contactos feitos para levar o conceito para a Europa, África e Austrália. Queremos levar os filmes overland portugueses a viajar. Não sabemos onde e se terminará. Como as melhores viagens."

ROP — Event, festival, film competition — what, after all, is Overland-IN?
IJ — It is a bit of both, which combined with the fact that it is an original format, leads us to spend a lot of energy to clarify the concept. In a nutshell, we launched a cinema competition for short films of adventure and overland trips. The winning films will be part of the program in September, in a unique and original event.

— What makes Overland-IN unique?
— We think that films created outdoors should be seen there — outdoors. That the theme of adventure travel is about discovery, revelation, and surprise. That is why the event will be held in a secret location, to which we will challenge each participant to arrive by navigating a “road-book”. Thus we conceive a surprising, unexpected environment. We wanted to create an experience, more than a collection of films in a closed cinema.

— Why now, in one of the worst years for events?
— For the same reason that the alpinist climbs the mountain — because it is there. We climb at a time when everyone walks the flat meadows ridden of obstacles because we have to start recovering now. We cannot wait for everything to normalize to start planning. And, interestingly, this is the best time. We have travelers and lovers of the outdoors closed at home, with drawers full of videos of past adventures, with free time in their hands. There has never been a better time to edit this footage and make it special. It is an inaugural edition — if we succeed this year, imagine what we will not all be able to do in the years to come?

— But what will motivate the overland community to join?
— The entire sector is asleep. We all are. And this is felt in the many conversations we have had with filmmakers, product and services companies, large and small. However, the mobilization has been exciting. Behind each logo, there are faces, people, voices. And with each one, we have learned a lot because we have given ourselves space to listen to them. The Overland-IN is also a reflection of that interaction, of this desire to shake off this torpor that leaves our arms drooping, in a body that is used to moving, climbing that mountain.

— Will Portugal have contributions to give to an international cinema competition?
— We wanted to bring together a team that combined various sensitivities, within which we debated this point a lot. We really thought about narrowing the competition to Portuguese filmmakers. But nobody just wants to be the best in the neighborhood. It is necessary to challenge the best done around the world. If there is a community where borders were made to be crossed, it is this one. It has been a daily struggle to identify where the good Portuguese films are waiting to be born, mind.

— For lack of travelers?
— Not so much, although we are few in comparison. When we interact with a Portuguese traveler, the first reaction we feel is modesty, that it may be “too hot to handle”. This does not prevent Australians who are not many more than us. We see their efforts reach the screen, not because they are better, but because of the ease of how they might look bad or foolish in the process. We, Portuguese have, after all, some of the best creative projects for animation and advertising — why not in filmmaking?

— Where will Overland-IN get to?
— To Abaton (laughs). Because Abaton represents something that cannot be achieved, but that motivates us to leave. Travel teaches us that plans have a life of their own. Overland-IN starts now in Portugal but will have more events in the country and in the world, with contacts already made to take the concept to Europe, Africa, Australia. We want to take Portuguese overland films to travel. We don't know where and if it will end. Like the best trips.

Destino: abaton

Destino: abaton

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